rompecabezas (2020)

O longa-metragem “Rompecabezas”, uma realização do diretor Dellani Lima e do poeta e dramaturgo João Mostazo, marca a estreia da Extemporânea, produtora de cinema e teatro que assina a produção. O filme é baseado no espetáculo “Roda Morta – Uma Farsa Psicótica”, da Cia. Teatro do Perverto, com dramaturgia de Mostazo e direção cênica de Clayton Mariano, que estreou em 2018 em São Paulo.

 

Filmado em 2019 e finalizado em 2020, “Rompecabezas” fez sua pré-estreia dentro da 15ª edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo. O filme aborda a incapacidade da sociedade brasileira de constituir uma narrativa coesa com relação ao seu recente passado ditatorial, reverberando as tensões políticas vividas no Brasil desde 2016 a partir da perspectiva de uma juventude delirante e deslocada do próprio tempo histórico.

 

A juventude revolucionária, deslocada no tempo, é apresentada de forma caricata, escancaradamente fora de época. Casacos de pele, boinas, perucas, óculos escuros e sobretudos - todo esse aparato adquire um elemento cômico, ao aparecer deslocado por uma época em que a própria ideia de Revolução se vê também fora de lugar.

 

O longa mistura elementos da cultura pop com influências do Cinema Marginal para criar uma ambientação com várias camadas temporais, apostando em texturas imagéticas e sonoras que remontam a antigos programas televisivos e radiofônicos e aos filmes policiais B. A fotografia e a montagem também trazem referências de desenhos animados e dos quadrinhos, com movimentos de câmera, enquadramentos e luzes absurdas que causam distanciamento da realidade por meio de uma narrativa fragmentada, não-linear, levando o espectador para um universo onírico.

 

sinopse
Um grupo de jovens resolve sequestrar um torturador da época da Ditadura Militar que está internado em uma clínica para pacientes com Alzheimer. Quando o sequestro dá errado e um dos membros do grupo foge, uma investigação policial tem início.

O personagem do jovem que desaparece é interpretado por Biagio Pecorelli. Juntamente com a líder do bando e um policial infiltrado (Mariana Marinho e Pedro Massuela), os três formam a “gangue” dos jovens revolucionários, à qual se soma um quarto membro, uma jovem perdida, levemente ingênua e que tem a inusitada – e ironicamente significativa – profissão de cirurgiã de cérebros, interpretada por Ines Bushatsky. A personagem de Bushatsky, testemunha do crime em torno do qual a trama gira, é investigada por dois policiais que mais parecem ter saído de um esquete do famoso segmento cômico “Fucker and Sucker”, do Casseta & Planeta, interpretados por Felipe Carvalho e Mau Machado.

 

Em cena está também Clayton Mariano, diretor do espetáculo que originou o longa. No filme, ele interpreta um líder deprimido e desiludido que prepara o hipotético grupo revolucionário e registra suas memórias atemporais em um pequeno gravador, possivelmente para deixar seu legado para seus jovens seguidores.

ficha técnica

Realização: Dellani Lima e João Mostazo. Direção: Dellani Lima. Roteiro: Dellani Lima e João Mostazo. Elenco: Biagio Pecorelli, Clayton Mariano, Felipe Carvalho, Ines Bushatsky, Mariana Marinho, Mau Machado, Pedro Massuela. Preparação de elenco: Clayton Mariano e João Mostazo. Abertura / Ilustrações: Lídia Ganhito. Direção de Arte: Fernando Passetti, Lídia Ganhito, Maria Rosalem. Produção: Dellani Lima, Gilberto Ferreira, João Mostazo. Produção Executiva: Dellani Lima e João Mostazo. Som / Mixagem / Trilha sonora original: Gabriel Edé. Mixagem / Desenho de som: Dellani Lima, e Gabriel Edé. Fotografia / Montagem / Cor / Som: Dellani Lima. Assistência de direção: João Mostazo.